Por influencia dos meus pais, eu era um moleque totalmente crédulo, em que se diz respeito ao bom velhinho. Fazia cartas, sucumbia as ameaças que se não fosse um bom menino, não ganharia presente no natal (apesar que isso não fazia tanta diferença, e eu era um capeta assim mesmo) e etc. Como toda criança débil em credulidade induzida pelos pais mais débeis ainda. Bom...
No auge de minha sabedoria aos 6 anos de idade, comecei a desconfiar de que o Papai Noel não existia, pois um dia quando saia do colégio, eu vi dentro de uma loja dessas de shopping, 3 papais Noel (afinal de contas – como seria a gramática desse plural? Ah, porra, sei lá... Não sou professor Pasquale!) conversando entre si: - Ahááá... 3 Papais Noel conversando... Humm... Porque Papai Noel conversaria com ele mesmo? Mesmo sendo mágico e onipresente que assunto teria com ele mesmo? Humm... estranho...
Essa foi minha indagação sagaz.
Então resolvi desmascarar o velhinho gordo farsante. Planejei ficar fingindo estar dormindo, para saber quem viria entregar os presentes na noite de natal.
Já quase 1 da manhã (e eu acostumado a dormir umas 10, estava quase pancando de tanto sono), quando de repente ouço barulho de passos, e eis que entra no quarto, minha mãe, com um monte de embrulhos. Pensei: - Aháááá... Então ela é que dá os presentes! Não existe Papai Noel! Eu sabia! (eu sagaz que nem uma garça com diarréia)
A princípio pensei em apenas trocar os presentes, e pegar o melhor carrinho para mim (pô, enquanto eu recebi um caminhão de carga, o meu irmão recebeu uma draga!! Cara, isso na minha concepção fértil poderia virar uma puta arma de matar comandos em ação!), mas fui mais fundo. Queria subornar minha mãe, e se não desse todos os presentes que eu exigisse eu ia contar pros meus irmãos a verdade nua e crua. Eu sou um gênio, imaginei.
No dia seguinte, logo pela manhã: - Bom dia meus filhos... Feliz natal!... - Bom dia mamãe... hehehe (com cara de sabichão) - E aí, o que o papai Noel trouxe para vcs? - Hehehe... Agora EU SEI A VERDADE, mãe... Ninguém consegue me enganar... hehehe (sorrisinho de canto de boca, mãos na cintura e batendo o pezinho) - Que verdade meu filho? - Psit... Vem aqui que vou falar baixinho... - Fale... - Eu vi você entregando os presentes... EU SEI que papai Noel não existe... - Você viu?... hummm... ta... - Se vc não me der o um Atari, eu vou contar tudo pros meus irmãos... - Hahahaha... Meu filho... Eu fiz isso de propósito... - Como assim? - Eu queria ver qual filho meu era o mais esperto... e olhe só: é você! - Sério? Sou o mais esperto? (sorrisão na cara, e peito estufado – crente que é gente) - Isso... Agora... Quero ver quem vai ser o próximo mais esperto... Não estrague a surpresa, tá?... - Ah, tá... Mas eu sou o mais inteligente, né mãe? - Claro! Você descobriu tudo sozinho! Meus parabéns... - Hehehehe... É isso aí... ééééé... sou o mais inteligente... (e detalhes que até esqueci do suborno de pedir o Atari)
Fiquei feliz pacas com essa explicação da minha velha, e isso me convenceu a não contar nada pros meus irmãos, porque queria mais era saber na verdade quem era o mais burro, para ficar zoando depois...
Pelo menos tinha uma vantagem nisso tudo. Toda vez que via uma criança da minha idade falando do papai Noel, eu quase me mijava de rir (eu até gargalhava), e soltava uma frase, tipo “bobo... tsc tsc tsc... EU SEI da verdade”...
Babaquice escrita pelo Fregola às 00h01
Só um desabafo...
Faz muito tempo que não entro num hospital público (até porque eu tenho aversão total a isso... é muito dificil eu ir pro hospital, a não ser que for por extrema necessidade)... Eu fiquei desempregado durante um tempo, tive q ficar sem plano de saúde, então tive q ir lá. Alguém aí conhece o hospital “Cardoso Fontes”? Pois é...
Faz muito tempo q não preciso ir a um, e nessa madrugada tive q ir. É aí que dá uma certa raiva de muita coisa. O lugar é sujo, fede, aparelhagem com problema e velha, e até na maca onde tive q ficar, estava cheia de sangue. Um absurdo.
Só tenho a elogiar mesmo os médicos, que tem uma boa vontade, apesar de tudo (ou falta de tudo).
Fico imaginando quem só pode recorrer a hospital público... Porra... Pobre não tem direito a ficar doente, caralho?...